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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Adorando a Deus ou a nós mesmos?

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Por Josemar Bessa

Quem está sendo adorado em nossos cultos? Hoje é comum o pensamento de que o propósito do culto é entreter, animar... A idéia não é adorar a Deus maravilhados no temor santo de Sua graça infinita manifestada em nós por amor a Cristo. O culto deixa assim de ser a agitação de todas as afeições santas produzidas em nós pelo Espírito através da revelação plena de Sua Palavra.

Não! As pessoas se reúnem muitas vezes para consumir, sentar, desfrutar de uma experiências musical, achar um pouco de auto-ajuda e conselhos para interesses próprios não centrados e nem com o propósito de glorificar a Deus. A mensagem deve ser não ofensiva ao ego sensível, não deve gerar desconforto... As pessoas estão ali para consumir como o fazem em teatros, cinema...

Quais são as razões pelas quais a grande maioria das pessoas escolhem onde congregar? Sequer pensam em escolher por causa da pregação das Escrituras que o levem de fato conhecer a Deus mais e mais... escolhem por fatores externos estranhos ao evangelho. A avaliação tem os mesmos aspectos que teriam ao se avaliar um restaurante... O ambiente, as luzes, a música, o ar-condicionado... ou um clube, ou um shopping... que tipo de rapaziada tem lá, que tribo frequenta...

Essa mentalidade abraçada nada mais é que um culto a si mesmo. E hipocritamente uma igreja profana chama isso de um culto “sensível” – Sensível a quem? Quando o objetivo de uma igreja é auto-congratulação ela se tornou idólatra e presta serviço e culto a si mesma e não é mais dirigida pelo mandamento de adorar somente a Deus. O foco está em si mesmo o culto se torna sessões psicológicas cujo principal propósito é gerar bons sentimentos sobre nós mesmos – O que é isso senão idolatria? A violação do primeiro mandamento?

Esta realidade está devorando a “igreja” de nossa geração” – Perdendo o foco de que Cristo é tudo, começamos a perguntar tudo o que podemos encontrar fora dEle que faça a vida satisfatória.

A verdadeira adoração é prestada a um Deus Santo! O que nos leva sempre a reconhecer que somos merecedores do inferno e que segundo tão somente a graça, pelo sangue de Cristo podemos entrar na presença desse Deus santo. Do começo ao fim adoramos o Deus da graça. Portanto a verdadeira adoração é uma perda de toda confiança em si mesmo e vendo somente a obra de Cristo como a centralidade do que somos, vivemos, e que se expressa em nosso culto, ou nosso culto é uma farsa.

Quando acreditamos que devemos ser satisfeitos em vez de Deus ser glorificado em nossa adoração, colocamos Deus abaixo de nós mesmos, com se a adoração e o culto fosse algo para nós e não para Deus. 

Ciumes e Biblia



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Por Danilo Neves de Almeida

O ciúme é um sentimento comum e complexo, que se manifesta em diferentes circunstâncias e níveis entre as pessoas. Lidar com essa emoção ou administrá-la é algo muitas vezes urgente nos contextos sociais, especialmente familiares, uma vez que tal sentimento tem a tendência de destruir relacionamentos. O que se segue abaixo são algumas considerações teológicas e práticas sobre o assunto em questão.
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CONSIDERAÇÕES TEOLÓGICAS
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A palavra grega "zelos", que aparece nos textos bíblicos, muitas vezes é traduzida como "ciúmes". O sentido básico desse termo é de calor, fervor, borbulhar ou encher, que figurativamente pode ser entendido como indignação, rivalidade, oposição a alguém ou algo. Podemos então, definir o ciúme como um estado de alma "tempestuoso" que pode levar o cristão a atitudes legítimas que envolvem cuidado e proteção ou a todo tipo de comportamento anti-social, egoísta, desenvolvido ao lado de outras emoções como o medo, insegurança, tristeza, desânimo e ira.
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Portanto existem dois sentidos, um positivo (bom) e outro negativo (mau), nos quais a palavra "ciúme" pode ser utilizada. Quando "zelos" é aplicada ao santo Deus, o sentido é unicamente positivo, enquanto que há variação de intenção dos autores bíblicos quando relacionada ao homem. No caso de Gl 5.20, por exemplo, o sentido de "zelos" intencionado pelo apóstolo Paulo é ilegítimo de acordo com o contexto da passagem, onde é listada algumas obras da carne, da vontade humana corrompida pelo pecado.  Eis alguns outros textos que atestam esse ensino:
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Sentido bom: Rm 10.2; 2Co 7.7,11; 9.2; Fp 3.6; Is 9.7; Ez 16;37-38; 23.25; Sl 69.9; 119.139.
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Sentido mau: Jó 5.2; Pv 6.24; Ec 4.4; 9.6; Rm 13.13; 1Co 3.3; 2Co 12.20.
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O ciúme no seu mais intenso nível ou grau, passa a ser chamado de inveja ("fthonos"; ver Gl 5.21) como pode ser observado em algumas narrativas das Escrituras. Quase sempre o sentido pretendido para inveja é negativo, exceto quando raramente usada para se relacionar a Deus (ver Tg 4.5). O ciúme/inveja foi, por exemplo, o motivador do assassinato de Abel cometido por seu irmão Caim, da fuga de Jacó diante de Esaú, da venda de José como um escravo pelos seus irmãos e da tentativa de homicídio do rei Saul contra Davi (ver especialmente Gn 37.11, At 7.9 e 1Sm 18.9). Tais histórias nos servem de exemplos para não subestimarmos esse "inimigo" que existe dentro de nós, o qual nos compete dominá-lo pela graça, em Cristo, o qual foi vítima da inveja de seus opositores (Mt 27.18 // Mc 15.10).
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Nesse sentido, precisamos particularmente nos lembrar que Corinto era uma igreja com muitos problemas relacionados ao ciúme/inveja. Suas divisões e rixas, certamente eram fruto desse sentimento, o qual Paulo solenemente identifica (1Co 3.3; 2Co 12.20), para que os coríntios reconhecessem parte do problema que estava atribulando os irmãos e prejudicando a comunhão e crescimento da igreja. Assim como esses cristãos do passado, cabe a nós hoje ouvirmos a tão maravilhosa exortação do apóstolo do Senhor em espírito de oração:
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"o amor não arde em ciúmes" (ARA)
"o amor não inveja" (NVI). 
1Co 13.4
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CONSIDERAÇÕES PRÁTICAS
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Abaixo estão enumeradas algumas perguntas que poderão ajudar na identificação e tratamento do ciúme em sua vida cristã. O uso de técnicas de psicoterapia podem ser úteis, desde que sejam usadas sob a orientação da Palavra de Deus (procure um especialista cristão nessa área). No entanto, muitas delas exaltam excessivamente o papel da auto-imagem nos cuidados com o indivíduo, negando ou invalidando a existência do pecado na natureza humana. Como cristãos precisamos entender que sem a santificação (Jo 17.17 // Cl 3.5a) e sem a graça de Deus, jamais seremos restaurados desse mal que habita em nós.
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1. Faça uma lista com as atitudes que o seu próximo tem e que despertam em você o ciúme (no sentido positivo, bom).
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2. Faça a mesma lista, agora com o ciúme no sentido negativo, mau.
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3. Qual sentido prevaleceu?
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4. Em quais situações ou circunstâncias você sente ciúme?
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5. Qual a frequência desse sentimento em você? Diário, ocasionalmente, raramente?
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6. O seu próximo tem contribuído para despertar o ciúme em você? Se sim, o que ele deveria fazer para te ajudar? Que mudanças comportamentais ele deveria fazer? Se não, em que você necessita mudar?
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7. Na sua família ou em amizades próximas, alguém tem te estimulado a ter ciúme? Você tem sido influenciado por eles (elas) nesse sentido?
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8. O ciúme tem te atrapalhado em quê? Quais áreas da sua vida tem sido especificamente afetadas?
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9. O ciúme tem te ajudado em quê? Quais áreas da sua vida tem sido especificamente melhoradas?
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10. Com que frequência você tem orado especificamente por isso em sua vida? Você também tem orado em favor do seu próximo nesse sentido?
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11. Qual (ais) versículo (s) bíblico (s) você escolheria para memorizar, guardar, para que ele (s) seja (m) útil (eis) contra o ciúme no momento da tentação?
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12. Você tem solicitado a ajuda de seus líderes (pastor, presbíteros ou outros irmãos) para lutar contra o ciúme? Se não, porquê?
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Obras consultadas:

- As obras da carne e o fruto do Espírito, William Barclay.
- Dicionário de ética Cristã, org. Carl Henry.
- Dicionário de grego e hebraico, Strong.
- Comentários bíblicos sobre Gálatas 5.19-21.
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Fonte: UMPCGYN

Deus Governa ou é Governado


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Por A. W. Pink

Defrontamo-nos com alternativas e nos vemos forçados a escolher entre elas: ou Deus governa, ou é governado; ou Deus domina, ou é dominado; ou Deus cumpre a sua vontade, ou os homens cumprem a deles. É difícil fazermos nossa escolha entre essas alternativas? Teremos de dizer que vemos o homem como uma criatura tão indomável, que está além do controle de Deus? Precisaremos dizer que o pecado alienou o pecador para tão longe dAquele que é três vezes santo, que o pecador estafara do âmbito da jurisdição divina? Ou diremos que o homem, por ter sido dotado de responsabilidade moral, precisa ser deixado fora do controle de Deus, pelo menos durante o período de sua provação? Visto ser o homem natural * um fora-da-lei quanto ao céu, um rebelde contra o governo divino, segue-se necessariamente que Deus é incapaz de cumprir o seu propósito por meio dele?

Queremos dizer não só que Deus pode revogar os efeitos das ações dos malfeitores, como também que, por fim, Ele chamará os maus, perante seu trono de juízo, para que a sentença de castigo seja pronunciada contra eles — multidões de não-cristãos crêem nessas coisas. Queremos dizer, além disso, que cada ação do mais desregrado dos seus súditos está inteiramente sob o seu controle; sim, queremos dizer que enquanto o homem age, apesar de não o saber, cumpre as secretas determinações do Altíssimo. Não sucedeu assim com Judas? Será possível selecionar algum caso mais extremo do que esse? Portanto, se o arqui-rebelde estava cumprindo o plano de Deus, crer a mesma coisa a respeito de todos os demais rebeldes será um fardo demasiadamente pesado para ser suportado pela nossa fé?

Nosso objetivo não é uma inquirição filosófica ou uma casuística transcendental; e sim, determinar qual o ensino das Escrituras quanto a esse assunto tão profundo, baseados na Lei e no Testemunho, porque é somente assim que podemos aprender acerca do governo divino — seu caráter, plano, modo de operar e objetivo. O que, então, aprouve a Deus revelar-nos em sua bendita Palavra quanto ao seu domínio sobre as obras de suas mãos e, de maneira especial, sobre aquele que originalmente foi criado à sua imagem e semelhança?

"Nele vivemos, e nos movemos, e existimos" (At 17.28). Que extraordinária declaração é esta! Estas palavras, devemos notar, foram dirigidas não a uma das igrejas de Deus, nem a algum grupo de santos que já atingira alto nível de espiritualidade, e, sim, foram dirigidas a um auditório pagão, a pessoas que adoravam o "DEUS DESCONHECIDO" e que zombaram quando ouviram falar da ressurreição dentre os mortos. Mesmo assim, perante os filósofos atenienses, perante os epicureus e estóicos, o apóstolo Paulo não hesitou em afirmar que viviam, se moviam e existiam em Deus, isto é, que não somente deviam sua existência e preservação Àquele que criou o mundo e tudo o que nele há, mas também que as suas próprias ações eram supervisionadas e, portanto, controladas pelo Senhor dos céus e da terra (Dn 5.23).


"O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do SENHOR" (PV 16.1). Note que essa declaração tem uma aplicação geral — aplica-se ao "homem", e não somente aos crentes. "O coração do homem traça o seu caminho, mas o SENHOR lhe dirige os passos" (Pv 16.9). Se o Senhor dirige os passos do homem, não é prova de que este é governado ou controlado por Deus? De igual modo: "Muitos propósitos há no coração do homem, mas o desígnio do SENHOR permanecerá" (Pv 19.21). Pode isso significar algo menos que, sem importar o que o homem deseje ou planeje, é a vontade do Criador que é executada? Ilustremos com a parábola do rico insensato. Os propósitos do seu coração nos são expostos: "E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? E disse: Farei isto: Destruirei os meus celeiros, reconstruí-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens. Então direi à minha alma: Tens em depósito muitos bens para muitos anos: descansa, come e bebe, e regala-te". Tais foram os propósitos do seu coração; no entanto, foi o "desígnio do SENHOR" que prevaleceu. O "farei" do rico insensato foi reduzido a nada, porque "Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma" (Lc 12.16-21).

"Como ribeiros de águas, assim é o coração do rei na mão do SENHOR; este, segundo o seu querer, o inclina''' (Pv 21.1). O que poderia ser mais evidente? Do coração "procedem as fontes da vida" (Pv 4.23), e, conforme o homem "imagina em sua alma, assim ele é" (Pv 23.7). Se o coração está na mão do Senhor e Este o inclina segundo o seu querer, é claro que os homens, sim, os governadores e reis, e, portanto, todos os homens, estão sob o governo do Todo-Poderoso! Nenhuma limitação se deve fazer às declarações acima. Insistir que alguns homens, pelo menos, conseguem impedir o exercício da vontade divina e subverter o seu conselho é repudiar outros trechos bíblicos que são tão claros quanto estes. Pese bem o seguinte: "Mas, se ele resolveu alguma cousa, quem o pode dissuadir? O que ele deseja, isso fará" (Jó 23.13). "O conselho do SENHOR dura para sempre, os desígnios do seu coração por todas as gerações" (SI 33.11). "Não há sabedoria, nem inteligência, nem mesmo conselho contra o SENH©R" (PV 21.30). "Porque o SENHOR dos Exércitos o determinou; quem, pois, o invalidara} A sua mão está estendida; quem, pois, a fará voltar atrás?" (Is 14.27). "Lembrai-vos das cousas passadas da antiguidade; que eu sou Deus e não há outro, eu sou Deus e não há outro seme¬lhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade as cousas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade" (Is 46.9,10). Não existe qualquer ambiguidade nessas diversas passagens. Afirmam elas, da maneira mais taxativa e inequívoca, que é impossível o propósito do Senhor ser reduzido ao nada.

Lemos as Escrituras em vão, se não descobrimos nelas que as ações dos homens, quer sejam más ou boas, são governadas pelo Senhor Deus. Ninrode e seus companheiros resolveram erigir a torre de Babel, mas antes que a completassem, Deus lhes frustrou os planos. Jacó era o filho a quem a herança fora prometida, e, embora Isaque procurasse reverter o decreto do Senhor e dar a bênção a Esaú, seus esforços não prevaleceram. Esaú jurou que se vingaria de Jacó, mas, finalmente, quando se encontraram, choraram de alegria, ao invés de lutarem com ódio. Os irmãos de José resolveram destruí-lo, mas os seus intentos foram frustrados. Faraó se recusou a deixar Israel cumprir as instruções do Senhor e o que alcançou com isso foi perecer no mar Vermelho. Balaque pagou Balaão para amaldiçoar aos israelitas, porém Deus compeliu Balaão a abençoá-los. Hamã erigiu uma forca destinada a Mordecai; porém foi o próprio Hamã que nela pereceu enforcado. Jonas resistiu à vontade de Deus; mas, o que conseguiu com todos os seus esforços? Sim, os gentios podem enfurecer-se e os povos imaginar "cousas vãs"; os reis da terra podem levantar-se e os príncipes conspirar contra o Senhor e contra o seu Cristo, dizendo: "Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas" (SI 2.1-3). Mas, apesar disso, o grande Deus se perturba com a rebeldia de suas tão débeis criaturas? Certamente que não: "Ri-se aquele que habita nos céus; o SENHOR zomba deles" (v.4). Ele está infinitamente acima de todos, e a maior confederação dos poderes da terra e seus mais vigorosos e intensos preparativos, para combater-Lhe os propósitos, são, aos olhos dEle, inteiramente pueris. Ele atenta para os vãos esforços dos homens, não somente sem alarmar-se, mas também a rir-se e a zombar da estultícia e da fraqueza deles. Sabe que pode esmagá-los como traças, quando quiser fazê-lo, ou consumi-los com o sopro da sua boca, num só instante. De fato, é ridículo que os cacos de barro da terra contendam com a gloriosa Majestade celestial. Tal é o nosso Deus; adorai-O.

A Igreja Precisa Manter-se Simples


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E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. 43 Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. 44 Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. 45 Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. 46 Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, 47 louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos. Atos 2.42-47

Ao afirmarmos que a Igreja mantinha-se simples não estamos dizendo que a igreja primitiva era uma igreja pobre, ou uma igreja não sofisticada, mas uma igreja que vivia em conformidade com a essência da fé cristã. Note que existem seis declarações nesse versículo que expressam as atividades da Igreja Primitiva:

Doutrina dos Apóstolos

O primeiro ponto a ser ressaltado é a Doutrina dos Apóstolos. O que Lucas quer dizer com “perseveravam na doutrina dos apóstolos” é que a Igreja Primitiva mantinha-se firmada na instrução dos apóstolos. A idéia expressa pelo verbete “perseverar” é dar constante atenção a alguma coisa. Ou seja, a Igreja Primitiva mantinha-se constantemente alicerçada pelo ensino apostólico.

É importante ressaltar que até este ponto da história a doutrina da igreja primitiva podia ser resumida pelo v.36 do mesmo capítulo: “Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo”. Contudo, é digno de nota que todos os apóstolos tinham sido instruídos por Cristo, e por certo podiam repassar aquilo que haviam aprendido. Aliás, a expressão grega referente a “doutrina dos apóstolos” sugere que tal instrução seja procedente dos apóstolos. Ou seja, o ensino da igreja é mantido por aqueles que tem autoridade e capacidade para tal tarefa.

Comunhão

Lucas não poderia estar equivocado quando utilizou o vocábulo “comunhão” quando se referiu à Igreja Primitiva. A descrição subseqüente, esplanada no tópico sobre unidade da igreja, expõe de forma muito clara as considerações dessa igreja. Assim, deve-se ressaltar que os primeiros cristãos “eram perseverantes (…) na comunhão”. E como foi anteriormente ressaltado, isso implica em dizer que eles eram fundamentados na experiência comum do corpo. Assim, como os outros pontos ressaltados por Lucas, a comunhão era essência da vitalidade da Igreja.

Partir do Pão

A expressão “partir do pão” não diz respeito a uma refeição típica da época, e que os cristãos mantinham-se comendo apenas pão, mas a expressão diz respeito à prática da Ceia do Senhor. O termo grego equivalente a partir em português é apenas utilizado no NT em referência à ceia. Alias. É digno de nota que o termo (the klasei tou artou) é apenas utilizado duas vezes no NT, ambas feitas por Lucas, e é de uso restrito à ceia. O uso da expressão é quase que um pleonasmo, visto que klasei (partir) só é aplicado a artou (pão). Segue-se que, com absoluta certeza, a igreja primitiva mantinha-se firmada constantemente no memorial da morte de Cristo.

Orações

As orações tinham um papel fundamental na vida da Igreja Primitiva. Isso pode ser claramente percebido pelo relado deixado por Lucas, que diversas vezes considera as orações dos primeiros cristãos. Em Atos podemos ver que a oração foi a atitude dos cristãos diante das decisões a serem tomadas (1.14), a atitude da liderança da igreja em situação de crescimento (6.4) e a prática da igreja quando estava em situação de perigo e perseguição (12.5).

Louvor

Esta é uma das poucas referências encontradas em Atos que descreve essa atitude dos cristãos. Isso, no entanto, não quer dizer que os primeiros cristãos não adoravam a Deus, mas que suas reuniões estavam mais voltadas para a instrução, a oração e a comunhão. Contudo, devemos notar que todos os outros fatos ocorriam enquanto os cristãos louvavam a Deus . Ou seja, embora sejam poucas as referências era uma atividade que estava intimamente ligada a expressão de adoração da igreja. Entretanto, não podemos afirmar com certeza se isso acontecia por meio da música, embora possa ser muito bem expressa por ela.

Evangelismo

No mesmo versículo podemos perceber, ainda que um pouco escondido, a atividade evangelizadora da Igreja Primitiva. Note: “e dia-a-dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos”. Por mais que a atividade esteja centralizada na atividade divina na salvação, sabe-se que “aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação” (1Co.1.21). Portanto, não se pode negar que o evangelismo era parte integral da vida da igreja primitiva, sendo que isto acontecia diariamente. Segue-se, então, que a proclamação da verdade, o kerigma na Igreja Primitiva era parte essencial da vitalidade da Igreja de Cristo, assim como todos os elementos já mencionados.

A conclusão que devemos chegar aqui é que estes quatro elementos são essenciais na prática e na experiência da Igreja de Cristo. Portanto, a igreja local que não viabiliza a execução desses pontos não pode ser considerada uma igreja saudável.

Fonte: [ NAPEC - Apologética Cristã ]
Via: [
Ministério Batista Beréia ]

Falsos Profetas por John Stott


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Por John Stott

Ao dizer às pessoas que tivessem "cuidado com os falsos profetas" (Mt 7.15), Jesus obviamente assumiu que eles existiam. Não faz sentido você pôr um alerta no portão do seu jardim: "Cuidado com o cão!", se tudo que tiver em casa for um casal de gatos ou um periquito australiano. Não. Jesus alertou seus seguidores sobre os falsos profetas porque eles já existiam.

Nós os encontramos, em numerosas ocasiões, no AT, e Jesus parece ter considerado os fariseus e saduceus da mesma forma — "líderes cegos conduzindo outros cegos" —; foi dessa forma que ele os chamou. Jesus também deixou implícito que eles cresceriam e que o período que precederia o fim seria caracterizado não apenas pela expansão do evangelho, mas também pelo surgimento de falsos mestres que levariam muitos a se desviar.

Ouvimos falar a respeito deles em quase todas as cartas do NT. São chamados de "falsos profetas" ("profetas", presumivelmente porque afirmam ter inspiração divina), de "falsos apóstolos" (porque afirmam ter autoridade apostólica), de "falsos mestres", ou, até mesmo, de "falsos cristos" (porque tem pretensões messiânicas). Mas cada um deles é "falso" — pseudoprofeta, pseudo-apóstolo, pseudomestre ou pseudocristo —; pseudos é a palavra grega para mentira.

A história da Igreja tem um longo e som¬brio histórico de controvérsias com os falsos mestres. O valor dessas controvérsias, na prevalente providência de Deus, é que elas apresentaram à Igreja um desafio para pensar e definir a verdade, mas causaram muito prejuízo. Infelizmente, ainda hoje há muitas delas nas igrejas.

Ao nos recomendar que tivéssemos cuidado com os falsos profetas, Jesus fez outra conjectura: há um padrão objetivo de verdade que deve ser distinguido do falso profeta. A noção de "falso" profeta seria irrelevante, se isso não fosse verdade.

terça-feira, 24 de julho de 2012

A Maneira de Julgar




Por Ruy Marinho

Um perigoso bloqueio intelectual está sendo inserido na mente dos cristãos da igreja brasileira. Trata-se de uma onda de conformismo acrítico, ou seja, a aceitação cômoda de não criticar as palavras e atitudes das pessoas no ambiente eclesiástico, impossibilitando o crente de provar pensamentos e atitudes de maneira biblicamente racional.

O apóstolo Paulo adverte que a nossa fé não deve ser irracional: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12:1, negrito meu).[1] O reformador Calvino alertou que “a fé não consiste na ignorância, senão no conhecimento; e este conhecimento há de ser não somente de Deus, senão também de sua divina vontade.”[2] Excluindo o senso racional, o cristão ficará intelectualmente enfraquecido e mais propício a aceitar os enganos dos falsos profetas que Cristo nos alertou: “levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos” (Mt 24:11).
Em primeira análise, percebemos que este bloqueio intelectual é resultante dos famosos terrorismos espirituais, causados por clichês como “não toqueis nos ungidos de Deus” e “não devemos julgar”, que infelizmente são ensinados e defendidos por muitos líderes. Porém, é importante salientar que na verdade trata-se de conceitos teológicos errôneos, dos quais tem como objetivo impossibilitar a pessoa de desenvolver suas faculdades mentais de raciocínio lógico, facilitando o falso líder a ter um controle manipulável dos membros de sua respectiva comunidade.

Aqueles que são resignados a esta condição acrítica, acomodam-se na posição irracional de “crente manipulado”, bloqueando qualquer ação iniciativa e inibindo o desejo de evoluir teologicamente. Ou seja, o crente estará sujeito à restrição de qualquer questão doutrinária e/ou moral, aprisionando sua mente ao ponto de não conseguir discernir mais o certo do errado. Neste caso, as verdades absolutas estão enganosamente contidas nas palavras de seus respectivos líderes e não na Bíblia. Com isso, não há entendimento bíblico correto dos textos sagrados, fazendo com que nos ambientes eclesiais os falsos conceitos ensinados sejam tidos como verdades espirituais absolutas e inquestionáveis.

Para as pessoas nessas condições, uma exortação vinda de alguém sobre o perigo eminente decorrente de algum erro teológico, praticamente não possui efeito, pois a comodidade e a cegueira espiritual é um impedimento para tais pessoas crescerem e se aprofundarem nas verdades bíblicas, bem como desenvolver a verdadeira fé cristã com discernimento e senso crítico. Afinal, a mentira dita várias vezes pelo falso líder torna-se verdade absoluta e a ideia apócrifa do “ungido de Deus incriticável” é facilmente implantada.

Na verdade, seguir este conceito é um tremendo engano, pois a Bíblia mostra exatamente o contrário! Um exemplo claro está em Atos 17:11, onde narra que os crentes de Beréia eram pessoas nobres, porque conferiram nas Escrituras o que ouviram de Paulo, para ver se, de fato, era verdade. Caro leitor, seja sincero! Você tem o costume de conferir na Bíblia tudo o que ouve e vê? Se a resposta for não, você pode estar vivendo algo parecido com o que descrevi acima.

Neste caso, é necessário uma atitude urgente, voltando-se para a Bíblia antes que seja tarde, pois se a mesma é a nossa única regra de fé e conduta, devemos tê-la como bússola para todas as nossas atitudes. Caso contrário, estaremos inconscientemente negando a Bíblia e depositando a nossa esperança em homens. O primeiro passo é desmistificar os dois pontos principais que causam o comodismo acrítico, citados no começo desse artigo.

1 – Não toqueis nos ungidos de Deus!

As passagens bíblicas utilizadas para defender que não devemos “tocar nos ungidos de Deus” são 1Sm 24:6 “E disse [Davi] aos seus homens: o Senhor me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, isto é, que eu estenda a mão contra ele, pois é o ungido do Senhor. Dizendo: Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas.” e Sl 105:15 “Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas”.

Baseado nesses dois versículos, muitos líderes tendenciosos criaram uma classe especial de crentes que, segundo eles, seriam absolutamente incriticáveis ou inquestionáveis, como se fossem mediadores exclusivos entre o homem e Deus. Isso é um tremendo engano, pois o nosso único mediador é Jesus Cristo (1Tm 2:5).

Biblicamente, ungir significa “derramar óleo sobre”. Na cultura judaica antiga, era a forma de oficializar um ofício de sacerdote, ou de reis, para credenciá-los a serem mediadores entre Deus e a humanidade. Por esta razão, Jesus é chamado de Cristo ou Messias, palavras que significam “ungido”.

Em 1Sm 24:6, Davi está falando exclusivamente de Saul, que era ungido como rei. Em Sl 105:15, o salmista fala dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó. Em ambos os casos, o sentido de “tocar”, segundo o contexto, significa utilizar de violência física, maltratar, estender a mão contra. Em momento algum estas passagens são direcionadas contra questionamentos e/ou críticas. Se fosse assim, invalidaria a repreensão do profeta Natan a Davi (2 Sm 12:1-15), a crítica e repreensão de Paulo para com Pedro em seu erro doutrinário (Gl. 2:11-16) e até mesmo o próprio Jesus em várias críticas e repreensões que o mesmo fez aos fariseus (Mateus 23:23 e Lucas 11:23).

No Novo Testamento, o termo “unção” (grego=chrisma) aparece apenas três vezes, dentro de uma mesma passagem, 1 Jo 2:20 e 27, na qual afirma que todos nós recebemos e temos conhecimento da “unção que vem do Santo“, ou seja, todos nós somos capacitados pelo Espírito Santo (2Co 1:21-22). Em comparação, a palavra “ungido” (grego=Christos) é direcionada exclusivamente para Cristo, nunca para os líderes da igreja, nem mesmo aos apóstolos.[3]

Portanto, não existe qualquer possibilidade exegética que dê margem para aplicar as passagens veterotestamentárias em questão aos líderes da igreja, tornando-os incriticáveis e imunes a repreensões. 

 2 – Não devemos julgar!

A primeira passagem Bíblica que devemos analisar, talvez seja a mais usada para afirmar que não devemos julgar aqueles que ensinam conceitos contrários as Escrituras. Trata-se de Mateus 7:1 “Não julgueis, para que não sejais julgados.” Pegando este versículo isolado, de fato, a interpretação será absoluta para “não julgar”. Porém, jamais devemos interpretar textos bíblicos de maneira isolada, retirando as passagens de seus respectivos contextos. E o contexto direto da passagem nos diz claramente que Jesus não proibiu o julgamento em si, mas um tipo de julgamento específico. Vejamos: “Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também. Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão.” (Mt 7:2-5)

No versículo 1, Jesus disse aos judeus que eles não deveriam julgar. Já do versículo 2 em diante, Cristo dá a razão pela qual eles não poderiam julgar: o julgamento hipócrita! Os judeus estavam condenando os pecados dos irmãos, porém eles próprios estavam praticando as mesmas coisas (e até piores). Imagine como exemplo, uma mulher que abortou uma criança criticando um bandido que matou alguém em um assalto! Por fim, no versículo 5, Cristo diz que devemos primeiramente corrigir os nossos próprios pecados, para somente depois ajudar o nosso irmão, corrigindo-o de seu erro.

Outra passagem bastante utilizada pelos líderes manipuladores é Romanos 14:10, onde diz: “Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo“. Da mesma forma que Jesus, Paulo não está condenando o julgamento em si, mas sim um julgamento específico. Segundo o contexto, alguns irmãos recém convertidos eram legalistas, com isto os cristãos mais experientes estavam ficando impacientes. Paulo faz uma exortação para que os mesmos sejam mais tolerantes e não julguem os débeis (fracos) na fé, acolhendo-os com aceitação, pois com o tempo o amadurecimento viria naturalmente. Vale lembrar que, o que estava em questão não eram assuntos que comprometiam a ortodoxia cristã, mas sim pontos secundários da fé. Se fosse algo que comprometesse a fé cristã, Paulo com certeza teria outra atitude (Gl 1:6-7, 3:1-5, Fp 3:2, 18-19).

A Bíblia claramente instrui os cristãos a julgar todas as coisas. Prova disto está em João 7:24: “Não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça”. No contexto da passagem, Cristo está confrontando os judeus que questionaram sua doutrina, e tinham-no acusado de ter um diabo (vs 20) e de quebrar o dia do Sábado curando um homem (Jo 5:1-16). A questão colocada por Jesus é o ato de julgar de maneira exterior e superficial, ou seja, sem conhecer realmente os fatos, tornando o julgamento injusto. O ato de julgar “pela reta justiça” tem como premissa a lei de Deus como padrão pelo qual discernimos as coisas, pois a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática.

1ª Coríntios 5 também é uma base bíblica importante a respeito do nosso dever de julgar. No versículo 3 Paulo declara, sob a inspiração do Espírito, que ele tinha julgado um membro da igreja em Corinto que estava vivendo no pecado de fornicação. Seu julgamento a tal pessoa foi “seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus”. Já nos versículos 9 a 13, Paulo lembra aos santos do seu dever de julgar as pessoas que estão dentro da igreja, se elas estão ou não obedecendo à lei de Deus. Aqueles que alegam ser cristãos e são membros da igreja, mas que são julgados como sendo desobedientes a qualquer mandamento da lei de Deus (vs 9-10), devem ser excluídos da comunhão da Igreja. Paulo, sob a inspiração do Espírito, diz para a igreja não tolerar pecadores impertinentes.

Outras passagens bíblicas também indicam que é de nossa responsabilidade julgar. Jesus pergunta às pessoas em Lucas 12:57: “E por que não julgais também por vós mesmos o que é justo?”. Paulo orou para que o amor dos crentes em Filipos “aumentasse mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção” (Fl 1:9). Ele disse aos Corintos: “Falo como a criteriosos; julgai vós mesmos o que digo” (1 Co 1:15).

Os cristãos são solicitados a examinar tudo e reter o bem (1 Ts 5:21). Eles também são obrigados a provar se os espíritos são de Deus: “Irmãos, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas tem saído pelo mundo afora” (1 Jo 4:1). Mesmo nas reuniões cristãs eles devem “julgar” o que ouvem: “Tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três, e os outros julguem” (1 Co 14:29). Os Crentes de Corinto receberam ordens para julgar imediatamente a imoralidade existente entre os seus membros (1 Co 5:1-8). Mesmo o estrangeiro de passagem não deve ser hospedado se for verificado que não se trata de uma pessoa alicerçada na verdadeira fé ( 2Jo 10,11). Deve ser considerado como anátema (maldição) àqueles que apresentarem algum tipo diferente de evangelho (Gl 1:9).

Portanto, concluímos que biblicamente é dever de todo Cristão Julgar, fazendo juízo através de suas faculdades mentais de raciocínio. Se alguém ensinar algo em desacordo com as Escrituras – mesmo partindo do líder de sua igreja, esta pessoa deve ser confrontada com a Bíblia, obviamente com respeito e submissão. Ninguém, absolutamente, é intocável ou incriticável, pois não há respaldo bíblico para afirmar que exista um nível de “unção especial” que anule o raciocínio para o entendimento de qualquer coisa falada, ensinada e praticada. Tudo deve ser conferido na Bíblia.

Por fim, alerto que este ato de julgar não significa fazer injúrias ou calúnias, com comportamentos de sarcasmo e desprezo sobre a pessoa que está no erro, mas sim deve ser feito com linguagem sadia e irrepreensível, no âmbito teológico e moral (Tito 2:7-8, 1Pe 3:15-16). Se alguém está desviando-se do Evangelho e pregando heresias, a nossa obrigação é alertar, repreender, exortar e conduzir o pecador ao entendimento bíblico (2Tm 4:2-4). Caso a disciplina seja indispensável, a mesma deve ser aplicada com seriedade, amor e tristeza, sempre objetivando o arrependimento, e não a condenação eterna do pecador, algo que cabe exclusivamente a Deus.

Soli Deo Gloria!

Notas:
[1] – A tradução bíblica utilizada no artigo é a Almeida Revista e Atualizada – SBB.
[2] - CALVINO, João. As Institutas Vol. 3. Casa Ed. Presbiteriana. São Paulo, 1985. P. 25.

[3] – Concordância Fiel do Novo Testamento Grego-Português, Vol 2. – Editora Fiel 

Fonte: [ Bereianos ]
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Chuva Temporã e Serôdia

Chuva Temporã e Serôdia


"E vós, filhos de Sião, regozijai-vos e alegrai-vos no Senhor vosso Deus, porque Ele vos dará em justa medida a chuva temporã; farei descer no primeiro mês, a temporã e a serôdia" Jl 2:23

Significados: Temporã: Precoce, antes do tempo.
Serôdia: Que vem tarde, tardiamente.

Quando o profeta Joel escreveu sobre a chuva temporã e serôdia, Judá, vivia uma época de grande devastação. Uma enorme praga de locustas, havia aniquilado toda vegetação. Pastagens, tanto de ovelhas como de gado, morreram. Safras perdidas, fome e seca por toda parte.

Deus, através do profeta, convoca o povo ao arrependimento. O mal, sobre Judá, teria vindo por causa do pecado: "Congregai o povo, santificai a congregação, chorem os sacerdotes, ministros do Senhor" Jl 2:15,16.E em meio ao choro, pranto e arrependimento, Deus, envia promessa de abundância. Colheita a tempo e fora de tempo.

Campos devastados em nossas vidas:

Às vezes, estamos assim, vivendo a devastação. Como se uma praga de locustas devorasse nossos sonhos de paz e prosperidade. De repente, sem piedade. Nos tirando da "zona de conforto" Tudo que nossos olhos conseguem alcançar é destruição, tristeza. O que fazer?

Deus, através do profeta, orienta a busca pela restituição. Só o Senhor, pode restaurar os campos. Ele não convoca o povo a prantear pelo que se foi, mas pelo que haveria de vir. A busca, a total entrega a Deus, transformaria os campos: "Vos envio trigo, o mosto, e o azeite, e dele sereis fartos" Jl 2:19.

Ao cair a chuva temporã e serôdia, tudo seria restituído, em "justa medida". Assim é conosco. A chuva, poderá tardar ou vir precocemente, ela, inicia um novo tempo.

A chuva serôdia veio sobre ele:

Jacó: Trabalhou 20 anos para Labão. Este, mudou seu salário dez vezes. Jacó sofreu humilhação, fome, frio, foi roubado e trapaceado. Mas, quando Deus enviou a chuva serôdia sobre ele, Jacó, partiu em direção as promessas. A serôdia superabundou. Os campos outrora áridos se tornaram férteis. Na descendência de Jacó, a restituição, aleluia!! Um novo tempo. Jacó se chamaria Israel, descendência do Senhor. Gn 29,30,31.

Ela, recebeu a temporã:

Maria
: Noiva de José, ainda virgem, acolheu em seu ventre, O Salvador Jesus. Imagino o escândalo que o fato teria causado: "Aquela Maria, parece santa, mas, nem casou e já está grávida". Os olhares, as repreensões os murmurinhos. "a praga de locustas" se apresenta nos relacionamentos de Maria. Entre sua vizinhança, seus familiares, amigos. Como explicar? Como se apresentar a sociedade? Quem acreditaria nessa história de "gerado através do Espírito Santo"? A locusta devorava em meio a chuva temporã. Maria, a mais agraciada, de todas as mulheres, grávida antes do tempo. Os frutos dessa chuva, abundaram para a vida eterna. Jesus, marcaria a humanidade para todo o sempre, passando até a dividir a história em a.c e d.c. Um novo tempo, nasce o Salvador!

Ele sustenta:

Quando Deus envia a temporã e a serôdia, Ele capacita para a colheita. Aleluia!! Ele sustentou Jacó, Maria, sustentará a mim e a você.

Estudar sobre essa passagem do livro de Joel, fortaleceu minha fé. Me fez olhar para algumas "áreas devastadas", com certeza de vasta colheita, no tempo determinado por Ele. Que assim seja para vós, filhos de Sião.

Consultas: Mini Dicionário Aurélio, pg 635. Magno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, pg 851. Bíblia de Estudo Plenitude, Almeida J. F.,Revista e Corrigida, SBB.

DAVI E OS TRÊS AZEITES

Davi e os três azeites

"Mas eu sou como a oliveira verde na casa de Deus; Confio na misericórdia de Deus para sempre, eternamente"Sl 52:8

Por que Davi desejou ser como oliveira verde na casa de Deus? Não poderia ele ter escolhido outra planta para representar sua presença no templo?

Existem muitos estudos com uma abordagem bem completa sobre o referido Salmo. Não existe, portanto, muita coisa nova que possa ser dita a respeito da passagem.

O certo é que, novidade ou não, as revelações contidas na passagem: "Oliveira verde na casa de Deus", cabem na vida de todo àquele que deseja ser agradável ao Senhor.O estudo não é original, não pertence a mim, mas, tomei a liberdade de fazer algumas modificações a partir da fonte consultada.

Nos tempos de Davi existia em Israel um local conhecido como Moenda, onde as azeitonas eram levadas para extração de azeite. Este local continha quatro grandes pedras que giravam esmagando as azeitonas da seguinte forma:

Primeira Pedra- Primeiro Azeite
A primeira pedra da moenda esmagava as azeitonas e davam origem ao primeiro azeite. Este azeite era usado no templo como azeite da unção e da adoração. Davi desejou ser um adorador de Deus, mesmo que tivesse que passar pelas pedras.

Segunda Pedra- Azeite da Alimentação
Esmagadas pela segunda vez, das azeitonas se extrai o azeite para alimentação dos judeus.Davi desejou está na casa de Deus servindo de alimento aos mais necessitados.

"Também ungirás a Arão e a seus filhos e os santificarás para me administrarem o sacerdócio. E falarás aos filhos de Israel dizendo: Este me será o azeite da santa unção nas vossas gerações"(Ex30:29,30).

"Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber" (Atos 20;35)

Terceira Pedra- Azeite da Luz
A terceira prensa das azeitonas davam origem ao Azeite da Luz, usado nas lâmpadas do templo.
Davi desejou ser luz para sua geração, referência, bênção, oposição às trevas.

"Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte" (Mt5;14)
Também em Mateus (25:1a13), na parabóla das dez virgens, Jesus fala da necessidade de manter azeite nas lâmpadas para aguardar a chegada do Noivo.

O azeite da Luz representa ainda a chama do Espírito Santo que Davi desejou manter sempre acesa. Alguém sempre cheio do Espírito discerne bem todas as coisas e mantêm a comunhão com Deus

Quarta Pedra- As borras de azeitona
Ao chegar na quarta pedra, só existiam borras de azeitonas. Essas borras seriam aproveitadas para fazer sabão, utilizado na própria moinha e também comercializado entre os judeus.

Davi desejou ser como esse sabão: Que purifica, limpa.Desejou ser motivo de inspiração na casa de Deus para coisas puras.

"Quem subirá ao Monte do senhor ou quem estará no seu lugar santo? Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega sua alma a vaidade nem jura enganosamente"Sl24:3,4.

Davi desejou ser "oliveira verde na casa de Deus" porque conhecia todas as funções que a pequena azeitona teria na Casa de Deus, ele também sabia isso lhe custaria sacrifício, renúncia, mas, que compensaria.

 

Vai ter com as formigas e sê sábio!




 Vai ter com a formiga, ó preguiçoso; olha para os seus caminhos, e sê sábio.
Provérbios 6:6


 Wilma Rejane

O que um minúsculo inseto como a formiga nos ensina? Somos tão magnificamente grandes em relação a elas que uma mínima pressão de nosso dedo mindinho contra a formiga a esmaga completamente! Um sopro nosso e: lá vai formiga, para bem longe! Mas, Deus diz para observarmos o caminho desses insetos , isso nos tornaria sábios. Grandes lições são extraídas do "desprezível" universo de pequenas coisas que nos rodeia; sábios são os que consideram os detalhes.


A essência das formigas

Lá vão as formigas enfileiradas, em marcha para algum lugar que lhes garanta comida. Elas sabem o valor da organização e da união, sem esses elementos seria impossível transportar o alimento. Se preciso fosse resumir a vida das formigas em uma só palavra, eu escolheria: comunidade. Elas dependem inteiramente umas das outras, a pequena força individual se torna miraculosa através da união para o trabalho. Formigas trabalham dia e noite, você já observou alguma formiga dormindo, paradona? Se não viu, jamais verá!

E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.
João 5:17

Formigas não dormem, elas se revezam em turnos na realização  das tarefas, nesse ínterim, têm uma baixa no metabolismo e ficam num estado mais lento, renovando as forças para em seguida pegarem seu turno. Dia e noite, na luz ou na escuridão, formigas trabalham por alimento. Nesse estado de cooperação, o formigueiro anda e os pequeninos passos ganham a dimensão de um elefante. Por falar em elefante, descobri algo fantástico: você sabia que eles têm medo das formigas!? Sério! É algo parecido com a história de Davi vencendo Golias.


Biólogos da Universidade da Florida, nos Estados Unidos, constataram que os elefantes se afastavam das plantas acácias comuns na região do Quênia por causa das formigas. Cientistas acreditavam que a preservação da vegetação da savana, era consequência das chuvas, que nada, e que surpresa! Descobriram que os elefantes não devoravam a savana por medo das formigas! Elas entravam pelas trombas do animal e começavam a mordê-los. Também descobriram que os elefantes são os únicos animais vulneráveis aos ataques das formigas.

Porque quando estou fraco então sou forte. II Coríntios 12:10

É senhoras e senhores, observando as formigas, descobriremos que a força não está no tamanho no corpo, mas na essência. Por falar em essência, vejamos o que isso significa.

 Essência:

  • É o que constitui a natureza de um ser.
  • Seu maior atributo

Para Platão:

  • É o ser autêntico, percebido na medida em que o espírito se sobrepõe às percepções equivocadas e irreais dos sentidos. 

Para Aristóteles:
  • É a reunião das características comuns que definem a natureza intrínseca de cada ser.

Formigas são essencialmente trabalhadoras e altruístas, capazes de fazer correr um elefante para defender a si e ao seu habitat.


O perfume que atrai

Você sabia que para tornar possível e eficaz o trabalho no formigueiro esses insetos destilam uma espécie de aroma chamado feromônio? Esse perfume é responsável pela manutenção das trilhas, é ele que faz com que as formigam se movam em fileiras sem se desviarem ou dispersarem. O cheiro do feromônio ajuda a encontrar o caminho do alimento e garante a volta para casa. Veja abaixo uma ilustração da trilha de feromônio. 




Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem. II Cor 15:16



É isso queridos leitores:  de formiga em formiga nunca falta trabalho nem comida no formigueiro.  Que possamos não apenas observar o exemplo desse inseto, mas também praticar. Certamente elas têm um mundo de coisas boas a nos ensinar, mas de forma pratica, traço um paralelo entre cristãos e formigas:

  • Diga não a preguiça e ao comodismo, trabalhe para que nunca lhe falte o sustento: material e espiritual. 
  • Reserve um tempo para o descanso, um momento de restauração do corpo, da mente e do espírito. Sem trabalho, desfrutando da companhia da família e de Deus ( em oração, jejum e leitura da Palavra).
  •  Jesus pede que vigiemos sobre o mal, tal qual a formiga vigia para afastar seus predadores. 
  • Não deixemos que as criticas e os erros cometidos por irmãos e lideres( a até por nós mesmos) nos afete a ponto de nos afastar da comunhão com Deus e com a Igreja.A união das formigas garante a vida individual e em grupo.
  •  Que nossa essência seja Cristo: Ele em nós. Através desse intimo relacionamento, estejamos sempre dispostos a deixar que Ele habite em nós, transformando-nos constantemente.
  •  Que nosso perfume seja Cristo, o "feromônio" da vida construindo "trilhas" para outros seguirem.
  • Que nossa razão seja Cristo atraindo outros para Ele.
  • Que nossa alegria seja a de diariamente trabalhar: no inverno , no verão e na primavera como forma de nos mantermos alimentados com a Palavra de Deus, haja o que houver.
  •  Não nos desviemos do Caminho que é Cristo, tal qual as fileiras de formigas que se espalham quando encontram um obstáculo, porém, rapidamente se unem em trilhas através do feromônio, porque desviadas morreriam.
  • Formigas têm essência de irmandade,  repartem o alimento,  cooperam com o bem estar do outro. Essa grande lição das formigas lembra o mandamento Divino de amar o próximo como a si mesmo, que assim seja conosco. 

Em Cristo, o bom perfume da vida!

A Parábola dos Talentos



Wilma Rejane


A parábola dos talentos é contada no Evangelho de Mateus 25: 14 a 30. Três homens recebem do seu Senhor talentos em quantidade diferentes: "A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro, um, a cada um segundo a sua própria capacidade; e, então, partiu." (verso 15). Certo dia o Senhor dos servos retorna a terra e pede contas dos talentos recebidos:
  • Então, aproximando-se o que recebera cinco talentos, entregou outros cinco, dizendo: Senhor, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei.
  • E, aproximando-se também o que recebera dois talentos, disse: Senhor, dois talentos me confiaste; aqui tens outros dois que ganhei.
  • Chegando, por fim, o que recebera um talento, disse: Senhor, sabendo que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste,receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu.
  • Os que multiplicaram os talentos foram elogiados: "Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor."
  • O que enterrou o talento, recebe punição:"E o servo inútil, lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes."

Capacidade e Talento
 
A condição para diferenciar a quantidade de talento a ser recebida era "a capacidade de cada um". Implica dizer que quem recebeu mais foi julgado com maior capacidade de multiplicar o talento, o que recebeu menos tinha uma capacidade menor. Então não somos iguais em capacidade, todos não temos os mesmos direitos? A quantidade aqui não designou grau de importância. Receber menos não significou ser preterido ou discriminado, pelo contrário, o tempo e a oportunidade foi igual para todos: " voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha, nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos." Eclesiastes 9:11

Embora tempo e oportunidade ocorram à todos, cada pessoa tem capacidade diferente, graças a Deus por isso! Esse é o motivo de termos variedade de profissões no mundo. Na vida eclesiástica não é diferente. Romanos 12: 6-8: "De modo que, tendo diferentes dons segundo a graça que nos foi dada, sejam eles exercidos segundo a medida da fé."

Deus conhece a capacidade e fé de cada homem e de forma justa distribui dons. Cabe a cada um exercer com presteza e responsabilidade o talento. Receber um talento e fazer bom uso dele pode significar multiplicá-lo à ponto de ultrapassar em números o que recebeu dois ou mais talentos. Contudo, o objetivo da parábola não é competição numérica, mas de trabalho. 

Valor do Talento
Talento, em grego talanton, talanton, era também o peso legal, cerca de 26 kg, e poderia ser de ouro, prata ou cobre, sendo de um valor monetário altíssimo, equivalendo a cerca de 6.000 denários, ou algo como 6.000 dias de trabalho, ou mesmo 20 anos de tarefas para o homem comum. O uso da moeda na parábola é metafórico simbolizando algo de muito valor.

Gratidão e reconhecimento
A parábola transmite claramente que os dons pertencem ao senhor dos servos: "E lhes confiou os seus bens" (verso 14). Os homens que multiplicaram o talento demonstraram conhecer seu Senhor, eles receberam bem a mensagem: reconheceram o valor do talento, o senhorio e de forma grata cuidam do que lhes foi dado, vigilantes sobre o dia da prestação de contas.

O que enterrou o talento tinha uma ideia errônea sobre o caráter do seu Senhor. Por que escolhe enterrar a moeda em uma cova? Que sentimento o motiva a isso? Podemos afirmar que esse servo era incapaz, não porque Deus assim o fizesse, mas porque não buscou conhecer seu Senhor e receber Dele os ensinamentos necessários para seu sucesso. A capacidade para administrar os dons espirituais tem alicerce espiritual.

Paulo bem afirma: Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus. Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus. 1 Coríntios 2:11-12.

O homem que enterra o talento não era espiritual. Ele rejeita o Espirito Santo, apesar de receber nome de "servo". Sem o Espirito Santo em sua vida, não há modo de multiplicar os dons. Sem está ligado a Cristo não há modo de fazer parte do Seu corpo que é a Igreja, aquela responsável por multiplicar os discípulos na terra.

Há diferentes tipos de dons, mas o Espírito é o mesmo. Há diferentes tipos de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diferentes formas de atuação, mas é o mesmo Deus quem efetua tudo em todos. A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito, visando ao bem comum. I Cor 12: 4-7

Enterrando o dom
Percebam que o homem que enterra o talento não reconhece sua incapacidade, mas culpa seu senhor pelo fracasso. Uma atitude semelhante a de Adão no Éden ao ser interrogado por Deus sobre sua desobediência. Adão culpa a Eva, culpa a Deus, mas não reconhece que ele é o principal responsável por sua queda.

Procurar culpados não é atitude de vencedores. O bem deve ser nosso espelho, não o mal. A medida que o mal justifica nossas ações, nos igualamos a ele. O homem da parábola não enterra apenas o talento recebido, mas enterra a ele próprio e sem fazer uso de tudo aquilo que Deus o concedeu. Ele tinha algo de muito valor, mas ao invés de desfrutar disso, escolhe ignorar e ainda culpar seu senhor.

Quantos homens estão padecendo fracasso espiritual por não conhecerem a Deus? Criaram em suas mentes uma ideia desvirtuada de Deus e por isso não se aproximam Dele. O inverso dessa primícia é verdadeiro.

Talento para todos 
Deus distribuiu dons para os homens, de forma justa. Se vermos alguém frutificando muito para o Reino, enquanto outros nada frutificam, a razão para isso se encontra no coração do homem e na onisciência de Deus. Todos somos igualmente importantes para Deus e através de Jesus, nosso Senhor, recebemos dons para exercício do ministério. Não recebemos mais ou menos do que necessitamos, recebemos o que nos é devido. Cabe a cada um de nós multiplicar com alegria e gratidão aquilo que nos chega às mãos.

O destino dos homens que multiplicaram o talento foi o Reino celeste, junto Àquele que reconhecidamente era Senhor deles: "Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor."

O destino do que enterrou o talento foi a morte eterna, este  por escolha, não se importou em conhecer seu Senhor (Jesus) nem se preparou para Sua volta quando deveria prestar contas de suas ações: E o servo inútil, lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes."

Façamos nossa escolha.

Em Cristo, o Senhor dos talentos.

segunda-feira, 23 de julho de 2012


Qual o motivo da perseguição?

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Muitas vezes exageramos na nossa liberdade em Cristo e ofendemos as pessoas por não respeitar a religiosidade delas. Nossos amigos ou desconhecidos podem estar no caminho mais errado possível e, apesar de enxergar claramente a condenação que espera por elas, não temos autorização para criar qualquer tipo de choque ou desconforto. Não devemos ser provocadores. Não é desse lado que estamos!

Na semana passada, enquanto fazia minha leitura bíblica no trem Santa Cruz/Central do Brasil, meditei neste versículo que sempre passou desapercebido. Quando faraó propõe que o povo realize os sacrifícios ali mesmo no Egito para dar fim às pragas, Moisés rejeita a proposta por não desejar provocar um conflito religioso e temer as consequências óbvias de uma atitude inconsequente.
“Então o rei chamou Moisés e Arão e disse: — Vão oferecer sacrifícios ao seu Deus, porém façam isso aqui mesmo, no Egito. Moisés respondeu: — Isso não daria certo, pois os animais que oferecemos em sacrifício ao SENHOR, nosso Deus, são sagrados para os egípcios. Se eles virem a gente matar os animais que eles adoram, com certeza nos matarão a pedradas.” Êxodo 8:25-26 [NTLH]
Hoje, infelizmente, erramos na dose de nossa liberdade e, muitas vezes, por falta de respeito criamos situações que deveriam ser motivo de vergonha. Devemos alertar as pessoas quanto aos riscos de seguir uma falsa religiosidade ou crer num deus falso? SIM!!! Mas devemos fazer isso sem provocações e com muito respeito.

Se não seguimos o exemplo de Moisés, aceitamos o risco de levar as pedradas e depois não podemos nos queixar dizendo que somos perseguidos por causa do Nome.
“Vocês serão felizes se forem insultados por serem seguidores de Cristo, porque isso quer dizer que o glorioso Espírito de Deus veio sobre vocês. Se algum de vocês tiver de sofrer, que não seja por ser assassino, ladrão, criminoso ou por se meter na vida dos outros. Mas, se alguém sofrer por ser cristão, não fique envergonhado, mas agradeça a Deus o fato de ser chamado por esse nome.” 1Pedro 4:14-16 [NTLH]

Autor: André R. Fonseca
Twitter: @andreRfonseca
Fonte: [ Teologia et cetera ]
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sábado, 14 de julho de 2012


Evangelho e crise!

Alcemos nossas vozes para que o evangelho não caia em descredito.